6.20.2009

não mais que incêndio ordinário,
nada que distingo nas chamas que arrebatam
subsiste com robustez bastante
para extinguir o que é hoje calvário.
há só força robusta que nem de murro se estilhaça,
há más sortes que ao destino se dizem poucas,
há as nossas almas condenadas
que lamentam num grave urro
os corações em chamas, os beijos mudos, as palavras já ocas.
nem força suficiente para corroer madeiras,
força quão febril quanto os demais sarcasmos,
ao lançar labaredas e desacato na madruga e sobre as ceias,
as bocas abismadas, os olhos pasmos!
não há chama que quebre de todo em estilhaços,
que limpe de memórias, as encruzelhadas teias,
e condene os maus vícios, de tabaco aos maços.
e só a elas próprias a chamas se consomem;
são alvorada já morta e que não se acorda da madrugada,
foram tempos em que só sonhar sabia em tragada!
pensei ser o odor dos amores,
igual ao seu equivocado paladar,
e só o fui de má hora saber,
na hora madrasta em que o provava!
não me soubeste ver como te sonhei em dias,
oh, olhaste errado quando olhar não mais sabias…
fui mendigo incerto que, já morto, ainda te pedia,
enfrentando o já morto carinho que me tinhas!...
oh, triste, o meu desacertado amor,
era mais certo do que o adivinhas!
vento meu perdido e que não te abranda
os ares teus e que te beija os escaldantes lábios,
ainda acesos e julgados pelos sátiros beijos
que um dia me cuidaste furtar,
mas que apenas te eram por mim concedidos,
em tantas horas quanto o tempo se provia,
e que, sem perceberes, eu tos deixava levar.
.

6 comentários:

eduardo maria morgado disse...

isto não é um poema. é um desabafo. desculpem a escrita, que pobre, está, também, extensa.

susana disse...

Por mais que digas que não é, é. E é dos mais sentido que li, e eu não minto.
Gosto das tuas palavras, são reais, não são contos de fadas imaginários ou pensamentos trocados. És tu.

Paulo Oliveira disse...

Claro, todo o mundo num beijo. Não se entende todo o conceito de cultura, mistério, de vida em si, e por isso nem se deve contemplar como necessário. Vamos antes lambuzarmo-nos como animais e ignorar o resto, porque assim somos humanos e assim evoluimos o mundo.

Alexandra disse...

Pobre?! Para teres noção, cada vez que leio qualquer coisa que escreves fico assim : *.*

Beijinhoo *

Paulo Oliveira disse...

eu nao tenho problema, e agora sem ironia perdi a diversão. eu leio o que tu escreves, e li um ou dois pedaços e gostei, mas vêm os beijos, e o amor, e os regaços, e os beijos outra vez, e isso é um aborrecimento. oh well, há-de haver quem adore, e leie sem bocejos até ao fim, tenho a certeza

Anônimo disse...

perfeito!
seja desabafo, imaginação, simples poética, está de categoria :)
ha' talento aqui. *