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6.08.2009

galguei o alento de pedinte e supus-me rei:
dono de certezas, o reflexo, me soube espelhar.
sem ser castigado pelas madrugadas de lamúrias,
recebi castelos surgido do pó da proa,
e a noite não apareceu para mos condenar.
.
medíocres?, eram trocos de nada validos,
mas tantos e guardados, decerto, tão bem:
fortunas, coisa abençoada, abastança!
de pouco útil, sabia bem ser de boa aparência:
minha riqueza desafortunada!...
foi um trono que se me fez, amor!
.
um olhar novo é antes um olhar esmerecido,
quando um beijo teu mendiguei e, sem esmola ao bolso,
devolvi a mão aberta ao seu amarro abrigo.
logo as minhas eloquências souberam ferir,
a boca tua, trovadora de profecias que silenciavam,
nas palavras que hoje não mais sei calar.
.
beijaste-me!, e amor algum era par de dança,
no baile de aparências das línguas nossas.
eram, apenas, carinhos que o acaso delinha.
deplorar seria, meu amor, desacertado.
afinal, que importância tem, gaiata?...
as aparências de ninguém, na boca minha?
.
sob nossos castelos
.

4.04.2009

Nós estranhamente vivos
Mas de facas em punho.
Houve uma luta vencida,
Houve a jazida do sonho.
Nós estranhamente vivos
Mas servos de mórbidos olhares.
Houve um destino perdido,
Houve uma sina esquecida entre mares.

Não me mates agora, meu amor;
Confia no que proferes enquanto iludes a razão:
O amor deixa bilhete quando parte!
À luz da madrugada,
A chama iluminou o que ainda há para viver;
E aí, em espanto, ficou
A presença breve de uma nova utopia;
A esperança iludida de um novo amanhecer.

(Não sonhes, triste; não chores)
Havia um único sonho
E esse, esquecido, não mais se lembrou de permanecer.
.
amanhecer
.